Ponto de Vista


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CONTADOR DE HISTÓRIAS

Luiz Zanutto
20-07-2009

Ser professor é encontrar dentro de si forças para vencer os desafios que as pessoas do século XXI impõem. É preciso gostar de ensinar, mas é imprescindível amar o aprender, assim, muitas vezes é preciso aprender a desaprender os paradigmas do passado para aprender novamente. O professor é um ser solidário, deve compartilhar o que sabe e influir POSITIVAMENTE no desenvolvimento das pessoas, tornando-se responsável direto pelo futuro da sociedade. Ser professor é encorajar o aluno a se desafiar no processo de aprendizagem, é ter coragem de dizer NÃO e o conhecimento para dizer SIM, sabendo que será questionado sempre sobre sua resposta. O Professor se preocupa e se avalia quando o resultado de um aluno é menor do que o esperado e busca compreender a lógica das respostas supostamente "ERRADAS", enxergando o aluno de forma holística, pois sabe que tudo muda e lembrasse que em 1543, ninguém acreditava em Copérnico e que a teoria da evolução das espécies ainda é questionada. Para Paulo Freire o professor deve ser a favor da esperança que anima apesar de tudo, e contra o desengano que consome e imobiliza. Como podemos lembrar no século XX os países eram considerados grandes através de sua riqueza, constituída da capacidade de sua produção industrial e os gurus afirmam que o século XXI será destaque os países que têm as melhores escolas. Como está o Brasil para enfrentar esse desafio? Em meados dos anos 70 do século passado, era comum ouvirmos que o Brasil era o país do futuro, passados 40 anos ainda estão à procura de como será o futuro do nosso país. Deparamo-nos com professores mal remunerados e pessimamente preparados para ensinar e para lidar com diversidade, escolas que são campos de batalha onde o aluno cobra os seus direitos, mas esquecem de suas obrigações e pais que terceirizaram a educação e a moral dos filhos para os professores. O professor que deveria ser referencial de conhecimento passa anos sem se reciclar para acompanhar a mudança educacional que o mundo exige. Continua a insensatez de avaliar os conhecimentos através do formulário chamado PROVA, o qual na maioria das vezes causa estresse e apresenta resultados pífios por alunos que se sentem pressionados e outras tantas, apresentam resultados surpreendes daqueles que aprenderam a colar, assim, surge na sabedoria popular o ditado "quem não cola não sai da escola". Percebem-se professores com didática de ensino arcaica onde o que vale é o "decoreba", exigem do aluno não o aprendizado a pesquisa e sim decorar tabela e conceitos, que podem mudar a qualquer momento. Esquecem que no atual milênio as informações estão disseminadas e o importante é promover no aluno o desejo de pesquisar e se aprofundar em ler e discernir entre as informações certas, quase certas e incorretas. Encontramos em abundância em nosso país empresários bem sucedidos com pouca escolaridade e profissionais com PHD sendo mal remunerados e pouco valorizados. O que diferencia um do outro com certeza não é a sorte e nem tão pouco a inteligência, mas a astúcia para enxergar e não apenas ver. Conseguir enxergar oportunidades, entender que não é preciso um certificado para obter cultura e conhecimento e por último, fazer bem feito aquilo que se propõe a fazer. Como o objetivo não é finalizar o assunto, mas sim promover a reflexão, acredito que os professores devem ao menos se preocupar do por que existe tamanho desinteresse dos jovens em aprender? A resposta não é simples e deve haver N fatores, desde os familiares, sociais, neurológicos, psicológicos e tantos outros. Quero citar apenas um fator o qual tenho absoluta certeza de que se cada professor se dispusesse a executá-lo conseguiria resultados fantásticos. Podemos crer ou não em Deus, porém, o modelo de mestre é Jesus. Seus ensinamentos estão vivos há mais de 2 mil anos e quero lembrar que Ele sempre utilizou em seus ensinamentos as parábolas, que nada mais é que histórias e estórias, transformando um ensinamento em um fato mais concreto, assim, ensinava o povo a pensar e a refletir sobre as atitudes a serem tomadas. Contar histórias e estórias faz com que as pessoas possam viajar na carruagem do pensamento e viver o mesmo que o outro, e quando descem na estação da realidade terão em sua memória os fatos vividos e ouvidos. Não tenho dúvida que os meus melhores professores foram aqueles que ensinavam a matéria sempre recorrendo a fatos que supostamente haviam vividos e a correlação com a teoria solidificaram os ensinamentos. Conheço professores que são excepcionais contadores de histórias e estórias, e continuam conquistando os alunos porque transformam a teoria em realidade. Admiro um evangelizador de nome Paker, com certeza absoluta jamais foi professor, mas tem uma didática fantástica. Ao iniciar uma palestra, destacam sua voz baixa e seus cabelos brancos dos seus mais de 70 anos de vida. Saúda o publico e comenta o tema iniciando com a seguinte frase "me lembro uma ocasião..." termina aquela história e já encaixa outra sempre com o foco no tema. Após 20 ou 30 minutos de exposição não há quem, não tenha aprendido com suas experiências de vida. Não há dúvida que vamos por anos ouvir os lamentos dos profissionais da área de educação sobre a pouca valorização da profissão, mas isso, não pode ser desculpa para deixar de promover o conhecimento, porque é a única forma de garantir dias melhores ou ao menos iguais aos de hoje para nossa futura geração e aos nossos entes queridos. Ser professor não é apenas uma profissão é um sacerdócio é amar o próximo!

Luiz Zanutto
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zanutto_zanutto@hotmail.com