Tenho a impressão que estamos vivendo no Big Brother e somos os atores de um eterno episódio. A trama tem de um lado pessoas que acreditam em amores eternos, se apaixonam com a história de Romeu e Julieta, acreditam fielmente nos melhores amigos e têm a expectativa de dias melhores. Juntam-se a eles os que desempenham um bom trabalho e se dedicam como profissionais, acreditam que serão reconhecidos ou ao menos irão receber um muito obrigado. Há também os que acreditam ser super-herói dos filhos esquecendo que eles crescem, há os que esperam dos vizinhos pessoas educadas e não descartem o lixo na rua e limpe a “caca” que o cachorro dele fez no jardim das suas casas. Essa turma leva a sério as promessas e confiam tanto nas pessoas por isso colocam combustível no carro acreditando não estar adulterado, compram alimentos confiando na qualidade, acreditam fielmente no diagnóstico de um médico mesmo não sendo examinado, compram remédios acreditando não serem falsificados. Alguns acreditam até em políticos honestos e ou discutem com os colegas o resultado de um jogo porque tem certeza que o arbitro apenas se enganou em não validar ou validar o gol, defende as pessoas porque elas são honestas enquanto não se prove o contrário. Acreditam na vida e são chamados por muitos de pessoa-humana, se entristecem quando vêem semelhantes passando fome, crianças de pé no chão, mães desesperadas em hospitais. Preocupam-se em ser justos, fraternos, amigos e acreditam na responsabilidade social. São na maioria das vezes identificados pelo apelido “babaca”.
Do outro lado há pessoas com semelhança física e capacidade intelectual igual às descritas acima, são aqueles que acreditam na lei de Gerson e tem o apelido de “esperto”. Essa lei jamais existiu de direito, mas existe de fato no Brasil onde foi “promulgada” pelos “espertos”. A suposta lei surgiu através de uma propaganda de cigarro na década de 70 com um excepcional jogador de futebol de nome Gerson que tinha grande habilidade em driblar os zagueiros e na gíria do futebol as jogadas eram narradas como Gerson leva vantagem sobre fulano. Na propaganda, Gerson ascendia um cigarro e tocava com maço em sua testa exaltando a marca do cigarro e citava a importância de levar vantagem. Voltando ao assunto Big Brother, os “espertos”, são pessoas dissimuladas, frias, se fazem passar por honestas, tem um sorriso no lábio e o coração que é puro fel. Para eles o importante é vencer não importa quem! Não existem amigos e nem família, todos são adversários. Normalmente são bem populares, conversam bem, adoram sorrir da desgraça alheia, fazem piada de tudo e todos, mas odeiam ser motivo de piada. Para eles é festa ver uma pessoa escorregar e cair na calçada, geralmente se propõe a fazer pegadinhas que humilham os “babacas” e acreditam fielmente em suas mentiras. Avalia as pessoas pelo que elas possuem e não pelo que são, procuram ser amigos daquele que tem o poder chamado dinheiro. Essa a população cresce geometricamente e são muitas vezes valorizadas pela sociedade. São comuns filhos dos chamados “babacas” terem como ídolos os “espertos”. Os “espertos” adoram conhecer novos “babacas”, mas como essa população está em decadência o que vemos é um “esperto” querendo ser mais esperto que outro. Assim, surge a tal queima de arquivo quando um fica muito “esperto” ou se coloca um ou outro em uma geladeira emocional.
O mundo muda diariamente, são novas tecnologias e novas descobertas científicas, encurtaram-se os caminhos, aumentou a expectativa de vida, por isso acredito que ainda há esperança na descoberta de uma vacina que será aplicada nos primeiros anos de vida, imunizando as pessoas da síndrome de esperteza. A história de certo Homem do grupo dos “babacas”, porque pelo que se sabe doou-se aos irmãos, nos apresenta Judas, Pilatos e tantos outros. Infelizmente passados mais de 2000 anos o ser humano está com a cotação em baixa, bastam alguns Reais e é possível contratar um matador de aluguel, basta recusar um namoro se depara com a ameaça do ciúme doentio, basta à possibilidade reduzir os custos ou aumentar os ganhos é descartado o bom funcionário. Basta um corpo bonito se adquiri a fama e por apenas 3 moedas continua-se traindo a confiança e a credibilidade de uma amizade.
Luiz Zanutto – 11 7693.9942
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