Para onde queremos ir? Pergunta básica para traçar estratégias empresarias com base em uma
situação desejada no futuro. Nos últimos seis meses, ou seja, desde setembro de 2008, as
empresas passaram a navegar em um intenso nevoeiro. O que inicialmente foi prometido
como uma “marolinha” para o Brasil, tem se demonstrado um tsunami. Não importa quem
desencadeou a crise, se foram os loiros ou os índios. Ser líder nesse momento é não procurar
culpados, porque no mundo globalizado todos são inocentes e culpados. Para Drucker no
mundo atual um espirro em um país pode significar a gripe em muitos outros.
Na crise, o processo de comunicação é um instrumento que deve ser muito bem explorado
pelos líderes, pois as pessoas precisam entender e compreender as necessidades da mudança,
quais seus propósitos e objetivos. Não basta divulgar notícias, mas é imprescindível dialogar.
Em um momento como esse, é importante que todos na empresa saibam os motivos das
tomadas de ações, não se pode negligenciar nem um funcionário, pois a dúvida gera motivos
para a falta de apoio nos processos de mudanças rápidas. É importante ressaltar que toda
mudança haverá pessoas a favor e radicalmente contra. É da natureza do homem ser contra
aquilo que não conhece ou aquilo que acredita que irá prejudicá-lo. “nada é mais difícil de
tratar, nem mais duvidoso êxito, nem mais perigoso de manejar, do que introduzir mudanças,
porque há de se encontrar inimigos todos aqueles que se beneficiaram com as antigas normas
e como defensores os que acreditam se beneficiar com a nova ordem.” Príncipe Maquiavel.
Em momentos de crise, não se pode esquecer que as pessoas não são meros executores de
tarefas, mas são seres pensantes e podem enxergar a luz no fim do túnel, sem que essa, seja o
farol da máquina vindo ao nosso encontro.
O momento atual exige de cada pessoa o desprendimento do individualismo, pois se faz
imprescindível pensar no todo. Como e o que posso fazer para minimizar os efeitos da crise na
economia da cidade, do estado, do país e do mundo? É chegada à hora de demonstrar que o
ser humano se diferencia dos animais porque não tem apenas o extinto de sobrevivência, mas
a compreensão de que para viver plenamente não se pode aniquilar seus semelhantes.
É cômodo procurar culpados para crise e esquecermos de que o mundo todo se beneficiou
com a bolha do crescimento imobiliário nos EUA e com os altos valores das ações entre outros.
Infelizmente muitos empresários optaram pelo caminho mais curto, talvez não o mais
econômico, mas com certeza é o que exige menos explicação para a sociedade. Reduzir o
quadro de empregados em dezenas, centenas e até milhares de funcionários, esquecendo que
eles são pessoas que carregam o conhecimento dos processos da empresa, têm experiência e
família, bem como, a responsabilidade de cumprir com seus compromissos financeiros.
Aplicaram doses exageradas de medicamento, esquecendo também que não se cura a doença
matando o doente. Sem emprego, a queda no consumo é maior, a recessão atinge todos os
outros setores, aumenta a inadimplência, por conseqüência aumenta os juros dos
empréstimos bancários e desencadeia uma ciranda, onde os erros do passado são fortalecidos
e ocasiona mais demissões.
Para a economia voltar a respirar, é necessário produzir e vender, para tanto é necessário ter
pessoas economicamente ativas, assim. O dinheiro tem que circular! É melhor um país onde
muitas pessoas convivem com menor renda, que um país onde depende de poucas pessoas
com renda suficiente.
Chegou a hora em que as organizações devem demonstrar na prática o que escrevem em suas
políticas, quando se referem a pessoas. É agora que o profissional de Recursos Humanos tem
como oportunidade demonstrar sua capacidade de persuadir e vender seus ideais
humanísticos. É melhor perder os anéis que os dedos!
É preciso maturidade do gestor de RH para apresentar para empresário, empregados e
sindicatos, soluções como a redução da Jornada de Trabalho e Salários; Férias Coletivas,
Licença Remunerada, Suspensão de Contrato de Trabalho e tantas outras formas de evitar o
corte de pessoal.
Nós, profissionais de Recursos Humanos, nos destacamos nos últimos anos, com a implantação
de programas de desenvolvimento de pessoas, qualidade de vida, responsabilidade social,
salários por habilidade, seleção por competência, gestão de multifuncionalidade e tantos
outros que elevaram a potencialidade das pessoas, mas estávamos na maioria das vezes
nadando de braçada em uma economia forte e com ventos a favor.
O momento atual exige nova postura e ações do profissional de recursos humanos, talvez com
menos brilho, e muitas vezes com mais críticas que elogios, mas, são ações nobres porque se
refere à defesa do emprego e conseqüentemente da vida e da dignidade do ser humano.
Como diria Fagner “sem o seu trabalho o homem não tem honra e sem a sua honra se mata!
Não dá para ser feliz”.
Homens e Mulheres de RH, chegou a nossa hora de demonstrar desprendimento aos sonhos e
lutar pela dignidade humana.
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