Que o Brasil é um país rico em cultura popular, isso é inegável, assim como em criatividade que é reconhecida mundialmente. Quem não conhece nosso jeitinho. É uma gambiarra aqui, outra ali e tudo funciona como se novo fosse. Vi alemães boquiabertos, de como nossos funcionários operam com precisão e qualidade máquinas sucatadas em seus países. Sem dúvida isso é elogiável. O que preocupa é a famosa lei de Gerson. Paga uma propina aqui, joga-se um papel no chão ali, fura a fila no banco acolá e super-fatura compras e serviços. Qual o exemplo estamos oferecendo para nossos filhos e para os jovens? Isso sem falar do sub mundo da política. Não existe se quer um presidente entre as grandes potências somado ainda Brasil, Rússia, Índia e China que mereçam o título de Líder. Ou será que alguém sugere um nome entre esses?
Já vivi muita coisa nas organizações, tal como a história verídica que relato abaixo, a qual por respeito preservo os nomes das pessoas. Antes quero citar o dito popular “me diga com quem tu andas e te direi quem tu és”.
Estava assessorando uma empresa de médio porte a conseguir um selo equivalente a ISSO e Manuel o proprietário da empresa, antes das reuniões me procurava para confidenciar suas angústias. Certa vez, me confidenciou que acreditava que Jaime, seu comprador, estava recebendo propinas e fazendo negócios desonestos. Como já vivi outras histórias parecidas, fiz questão de ouvir com detalhes o porque da desconfiança. Como a empresa era familiar, antes de emitir qualquer parecer, primeiro quis certificar de que Jaime não tinha parentesco com a família. A reposta foi negativa, mas, o pai de Jaime fora um funcionário exemplar e muito admirado na empresa, por isso Jaime fora contratado. Manuel rasgou elogios ao pai de Jaime e me pediu auxilio. Garanti que se tivesse prova eu a traria a seu conhecimento. O papo continuou quando Márcia entrou na sala e disse “Srs desculpa-me, mas estou pedindo minha demissão. É impossível trabalhar com a Carminha”. Fiquei pasmo com a reação da Márcia. Moça educada, calma, excelente profissional e sempre deu ótimos resultados, estava na empresa a pelo menos 2 anos. Manuel ficou apático e expressou-se da seguinte forma. “Carminha....Carminha, não sei o que faço com essa mulher”. Perguntei ao Manuel, “você já avaliou quantas pessoas treinadas, com potencial deixaram a empresa por causa do relacionamento com a Carminha?” a resposta foi: “esse ano ou contando todos os anos que ela trabalha conosco?” Não entendi a resposta e fui incisivo “essa moça é um problema. Ela trata mal os colegas de trabalho, se acha superior aos outros e é muito sem educação. Rouba projetos dos outros e apresenta em nome dela” e antes de concluir ele completou “já sei o que vai me dizer, que ela vive me puxando o saco e o tapete dos colegas”. Bom, se você já sabe o que penso então por que ela está na sua empresa? A resposta foi o silêncio. Insisti, você sabe o quanto gastou em treinamento e demissão de bons profissionais por culpa dela? A resposta foi à mesma. Silêncio de sepulcro. Procurei saber se havia romance, ou se havia parentesco. Nada encontrei. Os dias foram passando e a Carminha era vista pelos colegas como a “manda-chuva, sol e vento também”. Nas reuniões falava muita asneira. Ela se achava! Seu estilo era apresentar propostas inusitadas e cutucar com palavras e fofocas seus pares, por vezes a mim também, porém eu ignoro pessoas baixas. Aí de quem a desafiasse! A típica rainha da cocada preta. E o Manuel mantinha o circo, aliás parece que gostava de ver pegar fogo. Estava esquecendo de outro personagem importante, Francisco, o sparing da Carminha. Com mais de 20 anos na empresa, achou que ao lado dela teria chance de se destacar perante aos colegas e ao Manuel. Todo trabalho correto era mérito da Carminha, mas o problema sobrava para o Francisco. Uma boa pessoa, mas é um Chicão da vida! E o Jaime? Ah! não me esqueci dele. Munido de provas das falcatruas levei ao conhecimento do Manuel que ficou enfurecido expressou-se “tudo como eu imaginava!”. Não fiz pergunta alguma, porque já estava resignado com aquela empresa. Aliás todo bom funcionário quando tem um líder Mané, passa a olhar o rio com resignação, tanto faz a água subir como descer.
Enfim a empresa fora devidamente certificada e Carminha a “erreagah” da empresa, como se fosse a única responsável pelo feito, propôs uma confraternização com os funcionários. Confraternização na cabeça privilegiada de Carminha é servir comida, bebida e música para os funcionários, sem se quer saber como anda seus corações e sentimentos. É como a história dos políticos que acham que para o povo o importante é pão e circo.
Como consultor é um ser diferente de funcionário, tive a liberdade de não participar do glorioso evento. No dia seguinte a confraternização, houve uma reunião com Manuel e com Carminha a erregah. Entreguei meu trabalho e minha carta de despedida, Manuel tentou me convencer a continuar, mas em minha cabeça existia uma única certeza “me diga com quem tu andas que te direis quem tu és”.
Talvez você esteja vivendo a mesma situação apresentada, mas não peça a demissão principalmente se for seu único ganha pão. Lembre-se que ética é também se resignar, se indignar e proteger-se de pessoas como as citadas e que estão por muitas empresas.
No inicio do mês de junho de 2008, tive contato com o Manuel e conversamos sobre diversos assuntos, entre esses descobri que se encontram na empresa Carminha, Francisco e Jaime e pelo que consta nada mudou em relação as suas atitudes e nem Manuel deixou de ser Mané. Por isso, não tente entender o porque os líderes convivem com essas pessoas e nem ao menos me pergunte se entendo. Se entendesse era um proprietário de uma empresa e não um funcionário.
Finalizo com um outro dito popular “dê poder e dinheiro a uma pessoa e descubra se ela é ética”.
|