Ponto de Vista


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E O FUTURO?

Luiz Zanutto
22-04-2008

Em março de 2008, tive a oportunidade de participar de uma brilhante palestra com Joelmir Beting. Humor inteligente, cultura política e econômica passada de forma que todos os mortais perceberam o contexto macroeconômico mundial.

Segundo Joelmir, para o Brasil há duas notícias uma ruim e outra boa. A ruim é que não é possível ainda enxergar a luz no fim do túnel e a boa é que resta a esperança porque ainda temos o túnel. No entanto minha preocupação é qual é o tamanho desse túnel?

Estou com 45 anos de idade e desde que me lembro, o Brasil é o país do futuro. Eu era o país do futuro!

Fui educado pela cultura familiar italiana no famoso modelo faça o que mando e não o que faço, corroborado com a liberdade de expressão religiosa promovida pela Igreja Católica Apostólica Romana e para dar forma ao futuro havia a doutrina da democracia militar dos governos Médice, Geisel e João Figueiredo, aquele que gostava mais do cheiro dos cavalos que do povo. O futuro do país na década de 1970 / 1980 era embalado pelo som “Esse é um país que vai pra frente ou,ou,ou,ou” (o que será que eles queriam falar com esse ou...) e pela famosa frase estampada em cada esquina e estradas “Brasil ame ou Deixe-o”. Fica claro pelo relato que a geração do futuro foi imensamente incentivada a questionar, perguntar e ser criativa.

Uma geração tolhida como poderia enfrentar os desafios atuais da globalização? Com medo claro! Assim, não poderíamos fazer melhor que colocar o país na condição de emergente. Não é um grande progresso, mas foi que conseguimos!

Mas não vamos desrespeitar a história. Foi naquela época que surgiu o mobral, o curso de madureza e o supletivo, diga-se de passagem muito melhor que muitas faculdades da atualidade. Também naquela época era um orgulho estar em uma escola estadual, porque as escolas particulares estavam os maus alunos eram conhecidas como Pagou Passou, tal qual existem muitas faculdades na atualidade. Já no país dos emergentes para que você tenha boa educação é preciso pagar. No país dos emergentes as escolas particulares aprenderam a fazer a diferença e conseguem fazer os melhores alunos das universidades estaduais e federais. Não estou ficando louco não! Primeiro estudamos nas particulares e depois vamos para as universidades do governo. O caminho inverso também é verdadeiro. Os menos favorecidos estudam nas escolas do governo durante o primeiro e segundo grau e daí quando começam a trabalhar e ganhar um pouco passam a pagar as universidades particulares porque não aprenderam o bastante para passar nas universidades públicas. Isso é Brasil!! Um contra-senso da nossa sociedade.

Mas falando em absurdos, nada mais ridículo que exigir o segundo grau completo para ser um Gari da prefeitura de Cabrobó da Serra e ou para ser um ajudante geral de limpeza na escola Prof. Colírio Moura. Em contra partida para ser vereador, deputado, prefeito, senador e até presidente do país basta ter um título na mão. Não de doutor mas de eleitor. Quer dizer de Eleitô meu companheiros!

Somos uma fábrica de analfabetos funcionais. Os nossos jovens não sabem escrever apenas teclar, aliás tc.

Estamos na rabeira do mundo quando se estuda educação formal. Mas estamos diminuindo a diferença social, para isso criamos no país inteiro os cursos superiores de 2 anos de duração e as famosas provas eliminatórias que entre 60 e 180 dias o “aluno” recebe seu certificado de primeiro e segundo grau, mesmo que não saiba ler e ou escrever. Corroborado a isso, surgem aos montes os cursos aprovados pelo MEC de nível universitário virtual. É a nova geração do Instituto Universal Brasileiro que faziam propagandas em gibis, agora é via Internet. Sou a favor da inclusão digital, precisamos interagir o povo brasileiro com o mundo, mas é irresponsabilidade social promover a certificação de profissionais sem que esses estejam preparados para o mercado.

Não existe país sem jovens promessas, não pode existir jovens promessas sem cultura e a cultura não está em ter um certificado, mas ser uma pessoa culta em aprendizado.

Você entra em consultório de pediatria de um hospital particular e se dá de frente com um moço de barba mal feita, calça jeans rasgada, camiseta amarela de sujeira, pierce no nariz e nas orelhas. Faz a pergunta básica: “o médico por favor?” e ele diz “pois não!”. A vontade é dizer pois não mesmo e sair correndo com filho nos braços pelo corredor do hospital.

Não é que a roupa faz o monge, mas reconhecemos, admiramos e respeitamos com muito mais facilidade o monge que se veste como tal. Parece que para ser bonito hoje tem que ficar feio!

Outro dia contratei uma aprendiz com 15 anos, tamanho de 12 corpo de 10. Alguns dias depois de admitida me trouxe a certidão de nascimento da filha com 45 dias de vida para registro na assistência médica. Assustado perguntei: Você é mãe? Ela me disse sorrindo. Eu sou, você não perguntou nada na entrevista. Eu na ignorância de acreditar que uma menina é naturalmente uma moça, não fiz tal pergunta e ficou provado que estou desatualizado. Vi-me sendo avô!

Em 1974, começou a surgiu a polêmica nas escolas estaduais sobre a importância de falar sobre educação sexual nas escolas. Malandramente perguntei a minha mãe. O que é educação sexual? A dona Adélia deu aquela resposta: “É a disciplina que você não vai precisar estudar porque dela ninguém morreu analfabeto”. Senhor do Céu....Minha mãe era um gênio!

Onde estão levando esse transatlântico chamado Brasil? Quando é que vamos dar oportunidade desse país se desenvolver através da cultura e do respeito à cidadania, sem o autoritarismo ocultado atrás de uma política assistencialista que prevê, bolsa disso e daquilo, vale coxinha, kibe e esfiha.

Está na hora da chamada geração do futuro reagir e saber que já podemos soltar nossas vozes, porque estão destruindo os nossos jardins e nós continuamos a erguer muros a nossa volta.

Vamos promover junto aos nossos filhos a ética e visão profunda contra a corrupção de valores!

Não dá para mudar o Brasil, nem nossa cidade, nem nosso bairro, mas dá para educar com amor os nossos filhos, fazendo-os enxergar que o errado é errado! e o certo é certo! Que não está certo vencer ao enganar os semelhantes.

Luiz Zanutto | Abril 2008.