Ponto de Vista


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A DIFíCIL ARTE DE SER UM GESTOR DE PESSOAS

Luiz Zanutto
11-12-2007

Na área de Recursos Humanos desde 1985, iniciei como trainee, passei a analista e fui alcançado novos degraus passo a passo, obtendo conhecimentos práticos e na especialização teórica através de cursos, seminários, pós-graduação, MBA e mestrado. Na verdade o conhecer não tem fim, então é impossível imaginar parar de estudar...
Foi uma opção trabalhar em RH, estava como trainee na área financeira em uma grande multinacional e decidi trocar de emprego e investir naquilo que eu acredito. No Ser Humano!
Aprendi nesses anos, que não basta gostar de pessoas para trabalhar em RH, é preciso buscar conhecê-lo e estudar suas motivações e emoções. Temos que entender sobre negociações, legislação trabalhista e previdenciária, segurança do trabalho e é indispensável saber um pouco sobre negócios, marketing, endomarketing, finanças e principalmente conhecer a missão, a visão e o planejamento estratégico da empresa, entre outras coisinhas mais. Nos querem como Super-Homem ou Mulher-Maravilha.
É preciso saber lidar com a auto-estima dos outros e cuidar da própria auto-estima, porque infelizmente somos duramente criticados por leigos que muitas vezes não entendem se quer da área em que atuam, mas é comum darem suas opiniões sobre a área de RH, porque todos conhecem sobre pessoas.
Conheço profissionais de RH comprometidos, eficazes, estudiosos, que sabem o que fazem em suas empresas, e claro, que também conheço voadores, metidos a serem o “Gestor de RH”, mas isso é comum acontecer, em todas as áreas até entre os gurus.
Mas é impressionante como pegam no nosso pé. Desde que estou na área, todos os anos, revistas especializadas em negócios ou “gurus”, destacam em suas matérias ou palestras as grandes falhas dos Recursos Humanos. Em 1990, participando em um evento na faculdade São Marcos em São Paulo, foi decretada a morte da área de RH. Na época bastante jovem, perguntei-me “e agora como volto para área financeira?” No dia seguinte meu Diretor disse “não é de hoje que falam isso, se estão jogando pedra é porque estamos incomodando, ninguém rouba laranja azeda ou joga pedra em vidraça de vidros já quebrados!”. E assim todos os anos é a mesma história.
Em 2005 a revista Você S/A publicou um artigo polêmico, destacou denúncias sobre o tratamento dado a um candidato a uma vaga em uma grande empresa, mas esqueceu de dar a oportunidade para que o RH da empresa pudesse dar sua versão. Muitas cartas foram enviadas a redação, inclusive uma que assinei em nome do GRHUS contestando a reportagem. Agosto de 2006, a revista Exame, faz nova criticas a nossa atuação. Há tempos estão assinando nosso atestado de óbito e decretando nosso fim. Mas resistimos!
Alguns empresários acham que trabalhar em RH qualquer profissional consegue, por isso transferem profissionais das mais diversas áreas para o RH, na maioria das vezes sem que estes nunca tenham sentado em uma cadeira para estudar sobre o assunto. Esses empresários vêem o RH como Centro de Custo e não de Investimento. Na maioria das vezes esses são os mesmos empresários que colocam na missão da organização “As pessoas são nosso maior patrimônio”. Sem comentários!
Não há dúvidas que somos uma área diferente, somos a vitrine de um edifício bonito e muitos querem pichar. Desafio quem conheça uma organização de sucesso que não precisa de profissionais criativos, motivados e satisfeitos, e para isso, não tenha na outra ponta um RH comprometido com boas práticas sobre gestão de pessoas. As criticas me motivam a trabalhar e estudar mais sobre a Gestão de Pessoas, porque ainda somos uma das poucas áreas que sabe fazer o benchmarking. São muitos grupos de RH sem fins lucrativos com o objetivo de melhorar e desenvolver os profissionais da área, facilitando nossa relação com as grandes mudanças do mercado. Destaco o GRHUS, um grupo que completou em agosto 30 anos, agregando 50 profissionais, gerentes e diretores de RH das mais diversas empresas da região de Campinas, com o objetivo de desenvolver e trocar informações. Tenho orgulho de participar desse grupo porque buscamos apoiar nossos associados nas mais diversas situações do dia a dia e também desenvolver os laços de amizade.
As criticas que nos fazem, quase sempre destrutivas, não basta para fazer-me desistir do orgulho de estar como Gestor de Pessoas e Professor da área em 4 universidades, multiplicando o conceito do que é ser RH. Ser RH não é profissão, é um sacerdócio!
Você que esta lendo esse artigo que é pai ou mãe, sabe que cuidar, manter, educar e desenvolver os nossos filhos não é uma tarefa fácil, imagine ter essa missão dentro de uma organização, com profissionais de diferentes culturas, tendo a missão de Desenvolver Conhecimentos, Habilidades, Atitudes e Remunerar de maneira a satisfazer as necessidades de cada um. É impossível agradar a todos.
Portanto, para ser um RH de verdade temos que ter muito jogo de cintura!