Você já deve ter ouvido um milhão de vezes nos últimos anos que mudar é preciso, que se não houver mudanças não acontecem às inovações e sem essas as empresas não prosperam e você não cresce.
Nada causa mais medo, tensão e resistência em nós do que as duas certezas que temos sobre a vida. A primeira certeza é de nós não somos eternos e, portanto, não sabemos quando, mas um dia há de chegar em partiremos dessa vida. A outra certeza é que tudo irá mudar em nossa vida. Por que resistimos tanto a essas duas certezas? Se eu soubesse a resposta certamente estaria ganhando muito dinheiro em palestras para grandes empresas que estão sofrendo com as mudanças. Infelizmente acredito que não existe uma receita única, assim, as respostas são diferentes para cada empresa e para cada pessoa.
Posso garantir ao menos que resistir a mudança é como parar o relógio para economizar tempo!
No mundo corporativo, sabe-se que para as organizações continuarem competitivas, elas precisam reinventar-se a cada período. Ignorar essa realidade geralmente significa o fim dos negócios. O medo de inovar tem contribuído para a estagnação de muitas empresas independente do porte, e, na era da informação e da tecnologia, o que é moderno hoje é obsoleto amanhã, por isso, não dá para ficar de braços cruzados esperando um boa colheita se não fizermos uma boa semeadura. Uma maneira de errar menos sobre qual é a hora de mudar, é estar atento ao mercado e planejar as mudanças enquanto a empresa está ganhando dinheiro com o atual produto e com os atuais funcionários. Um bom exemplo disso, é a tecnologia do aparelho de barbear Mach 3 da Gillete. A empresa investiu milhões no desenvolvimento do produto, os quais ainda está em fase de recuperação e, no entanto, ano passado lançou no mercado americano um aparelho com 4 lâminas. É isso que pode garantir a continuidade de um negócio. Precisamos investir em treinamento, desenvolvimento, tecnologia e em pesquisas, enquanto há caixa. Na maioria das vezes, os administradores utilizam a teoria de que em time que está ganhando não se mexe, e quando percebem a necessidade da mudança, a empresa não está tendo lucro e com pouco dinheiro em caixa não agüenta uma mudança de estratégia.
É importante entender que mudança não é algo barato e muito menos fácil. Por isso, além de ter caixa é preciso ter pessoas competentes e comprometidas com o sucesso da empresa. Mas como conseguir comprometimento dos funcionários? A palavra chave é transparência. É preciso explicar os por quês das mudanças, para minimizar as resistências das pessoas. É necessário maturidade dos administradores, para entender que as pessoas não são simplesmente um apêndice das máquinas ou dos produtos. A resistência dos funcionários é comum, porque não gostamos de mudanças, assim, esse é um dos maiores desafios enfrentados nos processos de mudanças, porque a maioria acredita que mudar pode significar perder o emprego, o que realmente pode acontecer com alguns. É preciso utilizar a franqueza e a credibilidade do administrador em motivar as pessoas, pois os funcionários serão os responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso da empresa. A obtenção do sucesso pode significar a garantia dos empregos diretos e indiretos e o fracasso pode significar o fim dos empregos. Quando do processo de mudança na American Express, o presidente da empresa Sr Hélio Magalhães, informava aos funcionários que eles estavam embarcando em um caminhão rodando em uma estrada esburacada "Depois do trecho acidentado, todos chegariam ao asfalto. Porém nesse trajeto alguns irão cair do caminhão. E eu não vou poder segurar ninguém".
Um dos erros de comunicação é informar que a mudança será benéfica para empresa e não deixar claro em que será benéfico para os funcionários. É isso que deixa as pessoas desmotivadas e com medo.
Considerando o mercado brasileiro atual, onde as empresas estão sofrendo com a concorrência predatória da ilegalidade das importações, da sonegação de impostos, da pirataria e dos baixos preços dos produtos chineses, não há como não realizar mudanças nas empresas. Precisamos de novas tecnologias, de produtos competitivos e de pessoas comprometidas em manter o negócio. Estamos atravessando um período de muita turbulência no mercado de trabalho, as empresas precisam enxugar seus custos, produzir mais e mais barato e com melhor qualidade, assim precisam de funcionários que sejam automotivados, criativos e multifuncionais. Nós enquanto funcionários precisamos de um emprego para garantir o sustento de nossas famílias, e que nos dê prazer em trabalhar. É preciso entender que não dá para gerenciar uma empresa de forma amadora, defendendo os amigos, fazendo de conta que não sabe e ou que não enxerga os problemas. O administrador competente tem que dar resultado tem que garantir a continuidade dos negócios e, portanto, muitas vezes tem que tomar atitude não popular. John Kotter em seu livro "o coração da mudança" cita vários pontos que não se pode negligenciar em um processo de mudança, dos quais eu cito os que julguei mais importantes:
1º Criar o senso de urgência. (as pessoas devem perceber que as mudanças não pode ficar para depois);
2º Comunicar sempre de forma simples (as pessoas precisam entender porque as mudanças são necessárias);
3º Remover barreiras (nada mais complicados do que chefes e funcionários que não querem mudar).
Finalizando, não dá mais para ficar deitado em berço esplendido, porque o sol nasce pra todos, mas a sombra só para os competentes.
Luiz Zanutto/abril 2006
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