Muitos já escreveram sobre a alegria do brasileiro e sobre nossos dois grandes eventos culturais que são aplaudidos pelo mundo todo: Carnaval e Futebol.
Em 2002, escrevi sobre a organização e a motivação existente dentro das escolas de samba. Em 2005, Nista meu amigo de GRHUS, escreveu comparando a motivação das pessoas na avenida e nas organizações.
Em 2006, quebrei um paradigma e sai na avenida para conhecer e entender os bastidores de uma escola de samba. Uma experiência fantástica, onde pude provar o sabor do que é ficar motivado sem receber salário e pagando pela fantasia. A motivação não tem preço. Constatei o que a teoria sempre mostrou "a motivação vem de dentro das pessoas" ou melhor, é uma porta que só abre pelo lado de dentro e a chave fica guardada no coração.
Aproveitei a oportunidade para dançar, observar e aprender, que os verdadeiros líderes não precisam estar à frente mas é indispensável que eles estejam no meio do povo, incentivando, cobrando, e sorrindo. Quando assistimos a uma escola de samba na avenida, ficamos impressionados com a sintonia do mestre-sala com a porta-bandeira, com ritmo da bateria, com a voz quase rouca do puxador do samba que não desiste de cantar, com a beleza das mulheres que ficam em destaque ou com a harmonia das alas. O que não enxergamos, são as pessoas que movimentam o carro alegórico e que se preocupam com a segurança das pessoas que estão sambando a uma altura de 10 metros ou mais, não notamos que entre os foliões tem uma comissão de pessoas anônimas que estão preocupados em servir água, que cantam, e não deixam o cansaço abafar a alegria daqueles que se apresentam para o público. Público, que são os clientes e que esperam ver a alegria estampada no rosto de quem desfila.
Eu vi crianças, jovens, adultos, senhores e senhoras, trabalhando com muita energia e cuidando de todos os detalhes. Com certeza, em duas noites de desfile aprendi sobre liderança e motivação muito mais do que nos livros, porque presenciei que a verdadeira liderança está no servir e não no ser servido.
Muitas vezes queremos estar à frente para satisfazer o nosso ego e não propriamente para garantir a satisfação do cliente. O líder não precisa se destacar para o público, porque a sua responsabilidade é fazer o cliente feliz, e para isso sua obrigação é manter a motivação da equipe servindo-os em suas necessidades. Hunter, em seu livro o monge e o executivo, deixa a mensagem clara de que liderar é servir.
Nos bastidores de uma escola de samba, os líderes cobram muito um do outro, exigem comprometimento do pessoal e o único interesse é de proporcionar alegria ao público, ou seja, satisfazer e surpreender o cliente.
Ao final de uma hora e trinta minutos de desfile, encontrei pessoas com dores nas pernas, nos pés, bateristas com as mãos machucadas, mas todos alegres e sorridentes porque sentiam que alcançaram a meta e cumpriram bem os seus papéis.
O foco das empresas é a perpetuação dos negócios e para isso é necessário o comprometimento daqueles que atendem os clientes, que salvo raras exceções, são os funcionários. Portanto, para que eles encantem e surpreendam positivamente os clientes precisam estar motivados e o líder preparado para servi-los, apoiando-os, incentivando-os e compartilhando as vitórias e os fracassos.
Quero acreditar que é possível manter nossos funcionários motivados e comprometidos como em uma escola de samba, dependendo da nossa postura como líder. Parabéns ao José Benedito Rusignelli, o famoso Professor Jé, que deu uma lição de liderança, servindo e incentivando a todos os participantes da escola de samba "Vai com Tudo e mais 10", mesmo estando machucado. Valeu Jé!!!
Luiz Zanutto
Março de 2006
|