"Estudei e me preparei e talvez minha oportunidade chegue". Abraham Lincoln.
Outro dia li um artigo que uma amiga (Márcia Tomaz) escreveu sobre o momento em que o desemprego bate a nossa porta. Ela abordava o assunto com muita propriedade situando que muitas vezes achamos que nós somos o nosso cargo e portanto todos podem ser desligados da empresa menos "Eu" porque sou um pilar nessa estrutura.
Tenho a oportunidade de conhecer muitas pessoas que se acham "donos" do emprego, da família, e dos amigos. Em certa oportunidade conheci a Marli, ela era uma excelente funcionária de uma multinacional onde trabalhávamos, porém a Marli, não se sentia funcionária ela se sentia ativo fixo da empresa e se era fixo para que mudar e se desenvolver. A empresa que sempre foi um exemplo de administração no final da década de 90 precisou se reestruturar e por mais difícil que fosse era necessário dispensar muitas pessoas no Brasil e entre essas estava Marli.
Marli fora demitida da empresa, mas se recusou a sair. Foram muitos e muitos dias que ela vinha ao escritório e sentava-se a mesa acreditando que ela estava vivendo um sonho e que logo ela iria acordar e poder trabalhar normalmente. Foram 25 anos de sua vida dedicados à empresa. Difícil foi a decisão do RH em tirar a mesa da Marli do local de trabalho e depois a convence-la a procurar um tratamento psicológico o qual assumimos a despesa. Somente depois de 120 dias a Marli começou a entender que ela e a empresa não eram a mesma "coisa" e que ali existia um final.
Assim conhecemos pessoas que passam dias, meses, anos, vivendo uma vida que já não existe mais. Não aceitam a inclusão de novos projetos e de novas pessoas nos grupos, no seu vocabulário a palavra mudança está riscada e resiliência não existe.
Aprendi que muitas pessoas se vinculam a empresa, a amigos e a família acreditando que aquilo é sua própria vida. Na maioria das vezes não é amor mas egoísmo do ter e o medo de perder.
Um detalhe importante ressaltar é o despreparo intelectual das pessoas contribui muito para o desemprego. Achamos que já aprendemos tudo e que dominamos tudo, assim chega a hora em que cai nossa produtividade e nosso interesse em aprender. O brasileiro demonstra de forma muito comum o desinteresse pela política, nossa falta de patriotismo e por tudo isso é que parecemos sempre conformados com as crises políticas, sociais e econômicas e até com a falta de vergonha na cara dos políticos e portanto, logo nos conformamos com a perda do emprego e acreditamos ser comum e que não existe nada de errado no meu desempenho. A perda do emprego pode ser comum, mas o que não pode ser comum é o despreparo intelectual porque daí surge o desempregado.
"A qualidade de um país é a soma da qualidade de seus líderes, nos mais diversos segmentos do tecido social. Nenhum profissional de segunda classe é capaz de produzir qualidade" Gutemberg de Macedo.
Vários autores e gurus que trabalham com método do positivismo, nos aconselham desenvolvermos aquilo que temos de melhor, porque isso será o fator que irá fazer a diferença na nossa vida. Claro que não podemos esquecer nossos pontos fracos, que é preciso também buscar melhora-los.
Mas, não adianta querer melhorar o que não tenho habilidade e esquecer o que tenho de bom porque nesse caso pode acontecer como o mineiro que foi para os EUA.
Conta à lenda que o mineirinho não conseguia de jeito nenhum falar o português corretamente, então falava o mineires. Um dia se aventurou ir para os Estados Unidos, e pra lá foi o matuto. Passaram cinco anos o mineirinho voltou a sua cidade e assustou a todos porque voltou mudo. Isso mesmo o coitado além de não aprender o Inglês ainda esqueceu como se falava o "mineires".
Cada pessoa tem uma limitação, ou seja, aquilo que por mais que tente não consegue se desenvolver a ponto de torna-la um expert, enquanto tem outras habilidades em que se destaca e são essas que devem ser valorizadas. O rei Pelé é um gênio com a bola nos pés, mas quando resolve pegar um violão e cantar... Se ele se dedicasse a desenvolver suas habilidades musicais e não treinasse futebol, talvez ele seria mais um pato na vida. Saberia andar, nadar, cantar, mas nada iria fazer tão bem para ser reconhecido como um rei.
O que temos que fazer é desenvolver mais e mais nossas habilidades naturais e buscar melhorar e ou equilibrar aquilo que não temos de bom, nos atualizando e aprendendo sempre e quem sabe assim nossa oportunidade chegue, como disse Abraham Lincolm.
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